quinta-feira, 29 de abril de 2010

SER TRANSPARENTE

 Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente. Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso, é ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar o que sente. Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar.

É permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde!

Mas infelizmente, quase sempre a maioria de nós decide não correr esse risco.
Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana. Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser.
Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos e que temos medo.

Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção.
E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas
atitudes, em falsos sentimentos, em falsos momentos. Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado.

Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já
não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar: Doçura e compaixão. A compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sozinhos e imensamente tristes, choramos baixinho antes de dormir num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos.
Algo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de
mostrar àqueles que mais amamos. Ou apenas preferimos viver a imagem que criam de nós.

Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis. Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto. Que consigamos docemente sentir, amar, enfim viver!

Por mais que às vezes eu não consiga, a minha coragem de expor ao fundo o que sente minha alma me faz julgar que sou melhor que muito de vocês inúteis.

Um comentário:

  1. O fato é que para ser transparente com os outros, antes de tudo você precisa ser transparente consigo mesmo. E a maioria das pessoas tem medo disso, porque quando você se volta para o seu interior e olha o que tem dentro de você, muitas vezes descobre coisas muito desagradáveis e defeitos que você não achava que tinha.

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