domingo, 16 de janeiro de 2011

Talvez todas as histórias de amor apenas comece e termine entre os lençóis.


Depois de fazerem amor várias vezes, como em todas às vezes que se viam, se ansiavam daquele encontro abençoado por Deus e crucificado pelo destino. Eles descansavam um sobre o  outro com braços e pernas entrelaçadas, algemados como gostariam de terem sido pelo destino. Ela desliza a ponta do nariz por todo rosto dele, beijando-lhe toda face. E ele nessa sintonia de carinho, ternura e desejo, a carecia e a beija dos pés a cabeça. 


Cortina meio entreaberta. Luz o suficiente para testemunhar e se delirar o que os olhos deles nunca se cansavam de constatar, formas tão perfeitas, tão cheias de santidade e beleza. As mãos dela tão brancas quanto os lençóis, e as unhas tão vermelhas quanto o desejo de possuí-lo, puxavam aqueles cabelos encaracolados e procuravam cada vez mais aquele corpo moreno cheio de formas e músculos exorbitantes que a levara sempre a loucura. A boca dele percorre todo o corpo dela, ao mesmo tempo em que a analisa como se fosse primeira vez, como um pintor fascinado por uma obra de arte ao qual ele não é o dono, mas ali ele a roubava e a conduzia com toda inspiração que tem diante de seus próprios olhos.
Não havia música. Havia somente o barulho e frescor da chuva que caía suavemente, o que deixava a libido ainda mais fresca, mas seu desejo completamente violento.
As mordidas, arranhões, apertos, gemidos e algumas dores que geravam ainda mais prazer. Aquele beijo tão terno e selvagem, acompanhados de movimentos sexuais repletos de fogo e desejo. Colados pelo suor, feito pela aquela dança e sintonia, sentindo estímulos por todos os cantos, como se orgasmos fossem sair a qualquer momento. Mudanças de posições, passadas de mão, sussurros ao pé do ouvido. Corpos e línguas sedentos e famintos. Ainda tentando prolongar o grand finale, ele completamente insaciado morde e acaricia os seios dela, completamente embriagado pela sensação que só ela lhe causa, e ela, completamente deixada ser tomara pela razão como cocaína que tira e toma o controle. Ainda suados, ele sorri ao ver o gozo merecedor de um troféu seguido de sua obra de arte. O silêncio toda conta do quarto, a única coisa que diz alguma coisa é o olhar dele fixo no dela, e os dela ora no olhar, ora namorando toda a face dele. Como todos os bons amantes, descansavam e deixavam os corpos se enxugarem ali nos lençóis, brancos feito o corpo dela. Talvez todas as histórias de amor apenas comece e termine entre os lençóis. Talvez o amor exista, e deixa de se esconder apenas entre os lençóis. Talvez nem todas ou nenhuma. Talvez gostamos apenas do prazer de encontrá-lo, e como toda jóia, o aguardamos de volta. O encanto seja o talvez. Talvez. Talvez...


Um comentário:

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    Sobre o poeta e editor Carlos Robero de Souza:

    1964: Nasce em Machado-MG
    1966: Muda-se para São Paulo/SP, onde surge sua paixão pelo Cinema.
    1995: Retorna para Machado, passando a pesquisar a trajetória do Cinema local.
    2005: Edita a Revista do Cinema Machadense (1911-2005)
    2006: Compõe três letras gravadas pela banda finlandesa “Força Macabra”
    2008: Lança o livro “O Anjo e a Tempestade” sob o pseudônimo Agamenon Troyan.
    2008: Edita o Fanzine Episódio Cultural
    2009: Edita o Jornal Ciclone
    2010: Novo membro da Academia Machadense de Letras
    2010: Destaque do ano (Troféu Carlos Drummond de Andrade”/Itabira-MG)

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