segunda-feira, 5 de julho de 2010

Paixão Anônima Instantânea

 
Ele retira a passagem, e ao pegar o troco e sair da fila, vê aquela que o faz ficar encantando com a delicadeza e brilho do olhar. Ele entra no ônibus e torce para pegar o mesmo. Com um sorriso exorbitante, ela entra e se senta ao lado dele no ônibus. Ficam olhando para baixo, com largos sorrisos nos lábios e falta de coragem no agir. Ele comenta algo sobre o tempo, mais para si do que para ela e ela concorda e fala sobre as recentes tempestades e chuvas.
Eles reclamam das trivialidades e desgraças diárias, e ele de súbito, comenta que o sorriso dela era uma beleza que não via á tempos. Ela sorri de novo e fica vermelha. Ele fica vermelho e começa a esboçar um pedido de desculpas pelo súbito comentário e ela diz que acha a barba bonita no rosto dele. Diz que nem todo homem fica bem de barba, e que seus olhos verdes são lindos. Ele riu alto e olhou por uns segundos incontáveis para ela. Ela era bela e lhe transmitia algo que não sentia á muito tempo. Cabelo longo escuro, franja, vestido e salto. Bracelete, anéis e brincos de argola. Olhos castanhos e um perfume levemente adocicado. Ele desejou-a como se deseja um vinho raro - daqueles que se quer tomar por inteiro em uma situação específica. Ela o olha também e sorri. Aquele par de olhos verdes eram capazes de hipnotizá-la.

- Seus olhos são tão bonitos – Disse ela timidamente.
- Os seus não ficam atrás. Estou encantando com o seu sorriso, a sua beleza. Como pode uma moça tão linda assim estar sozinha?

Ela apenas sorriu.

Por algum motivo que só um terceiro saberia, eles se identificaram e desejaram um ao outro naquele momento. Conversaram sobre suas vidas e compartilharam gostos.Ele desceria na próxima cidade - estava tremendo um pouco e ansioso, por que não era do seu feitio acreditar no relacionamento instantâneo. Ela sorria e achava graça dessa causalidade e encontros da vida.

- Eu já tenho que descer linda, e não queria ter que ir. Queria tanto te levar comigo ou ir com você.
- Sempre faço esse caminho, quem sempre não nos encontramos novamente?
- Eu quero te ver de novo e vou te ver.


E na despedida, sem nem ter idéia do por que, se beijaram. Mal sabiam o nome um do outro. Não sabiam se realmente se veriam de novo. A vida deles se cruzaram por 30 minutos, no máximo, e já eram íntimos no que deveriam ser.
Se amaram por 40 minutos. Desde o primeiro olhar até o “eu te ligo amanhã ou te mando um e-mail”.
Da janela ela ficou olhando o caminhar dele até o perder o vista, e ficava pensando como tudo nessa vida é relativamente efêmero e inconstante.
Afinal de contas, do que é feita a vida se não de muitos momentos assim?
A vida em si não passa de um eterno encontro e desencontro.

3 comentários:

  1. É a vida tem mesmo,seus encontros e desencontros.
    Às vezes encontramos uma pessoa,estamos com ela ao nosso lado,mas as almas não se encontram...
    Outras,estão distantes e a alma tão perto.

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  2. É véro içaí,boto fé neççes lance de encontros...pode ser o casual,o surreal,o astral e o tals, meus bródi.
    Algumas guria que fizeram minha cabeça,ainda dão uns gritaço bem alto dentro do meu despedaçado e remendado corazón.Quando era moleque,ficava todo sem jeito perto das mina;até já fiquei sem respirar direito,como se estivesse debaixo d'água,saca? Massss,depois de uns bjo
    e uns amasso,a timidez foi pro espaço;o pinto saiu do ovo e virou eççe galo aqui;doydo cantor das madrugadas.

    Valeu,Raíssa,Sisi,R.Nogueira e,quem sabe até,alguém mais... Brinkadera. Mas, tu podia me dá um toque sobre isso, lá no diHITT,hã? posso esperar?
    Grande abraço pra vc.Fui!

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