É verão, mas sinto frio e muita dor nos ossos. O que aquece minhas mãos nesse momento é uma caneta e duas folhas de papel. A caneta braço travesseiro, o papel um leito. Sinto-me tão doente... O vento brinca com meus cabelos, e ao tirá-los dos olhos noto um casal de pombos a minha esquerda, fitando olhos e bicos se aquecendo um ao outro como um desejo que explode de ânsias sem fim. Isso me faz ver que não mostramos ao mundo o quanto se pode amar sem dizer, o quanto se pode desejar sem realizar, sem lembrar no ontem, sem saber de outras existências ou no hoje que parece perdido.
A cidade lá embaixo parece tão fria, e as pessoas egoístas desprovidas de dores ou qualquer emoção. Vejo um garoto caindo com sua bicicleta, ele levanta depois de um tempo e procede. Ele irá cair diversas vezes na vida e por pensamentos e em ruas que conhece como a palma da mão, mas vai descobrir que verdade não é indolor, mais é o caminho para a felicidade.
Movimento parado... Lua, nuvens, estrelas. No infinito acima, surge uma nova espécie. Lenta, confusa e calma, parece observar a vida morta aqui em baixo. Não sei se é sonho, mas sei que existe. Ela se vai. Pra onde, não sei. Talvez ela vá acalentar outros sonhos e esperanças, o que faz da fé uma inspiração maior - Ser a própria luz que deseja enxergar... Numa redoma incolor mesmo que em pensamentos, eu saberei onde encontrar. Um cachorro late, a luz do poste apaga, a caneta cai. Senhor, me ouves? Nos leve pra onde o brilho jamais irá se ausentar.
Nos leve...

As vezes sinto como se fôssemos apenas observadores do mundo, das coisas e não parte dele. Como se tudo o que fizéssemos fosse ter uma pseudo-vida.
ResponderExcluirE aí, tudo bom com você?
ResponderExcluirEu ganhei um selo lá no meu blog Du Montanari Design e to repassando ele pra você. Passa lá e pega ele pra você. Um abração!